Consequências do aquecimento global no planeta Terra

O aquecimento global é uma realidade cada vez mais notória e as consequências nefastas.

É um fato já indiscutível que o planeta Terra corre sério risco de sofrer nas próximas décadas um aumento de temperatura que provocará mudanças climáticas muito expressivas e que ameaçará a existência humana. O fenómeno é conhecido como aquecimento global. O livro busca definir o que é esse fenómeno e apontar soluções com viabilidade temporal e económica para o problema.

É da responsabilidade de todos a tentativa de limitar esse aquecimento global em 2°C, valor considerado seguro pelos cientistas para que as mudanças climáticas sejam mais brandas. Uma redução de 30% das emissões de gases estufa até 2030, e a continuação desse ritmo de redução nas décadas seguintes, permitirá que os níveis de gases estufa se estabilizem num patamar que possa garantir o controle do aquecimento global dentro dos 2°C de aumento.

Essa curva de redução foi defendida pelos cientistas do quarto Painel Internacional de Mudanças Climáticas de 2007, o IPCC Inicialmente precisamos entender o aumento do efeito estufa, o causador do aquecimento global. O efeito estufa é um fenómeno natural do planeta Terra, que consiste na retenção pela atmosfera de uma parte do calor gerado pela radiação solar. Essa retenção de calor é feita pelos gases do efeito estufa (GEE).

Entre eles se destacam o vapor de água, o dióxido de carbono e o metano . O termo estufa se refere à retenção de calor do sol similar a retenção provocada pelo vidro numa estufa de plantas. O efeito estufa é responsável pelo aquecimento natural do planeta. Esse fenómeno climático é provavelmente o mais importante para a manutenção da vida na Terra. Sem ele a temperatura média do globo seria de -18°C, contra os 15°C atuais.

O grande  problema que estamos a enfrentar é o aumento artificial desse fenómeno devido à influência do homem. O crescimento económico nos últimos dois séculos da nossa sociedade foi incentivado pela Revolução Industrial com a queima intensiva de combustíveis fósseis e com o uso do solo em larga escala (agropecuária e desmatação). O elemento químico carbono presente no petróleo, gás natural e carvão, na queima desses combustíveis, passou a ser lançado na atmosfera na forma de dióxido de carbono, um dos gases que provocam o efeito estufa.

As concentrações de dióxido de carbono passaram de 280ppm (partes por milhão) para 377ppm ao longo do século XX. Esse aumento de concentração já causou uma elevação média de 0,8°C na temperatura da Terra e já está provocando mudanças climáticas sérias.

O aumento da quantidade de CO2 também aumenta o efeito estufa provocado pelo vapor de água. Se você esquenta um pouco que seja o ar, ao adicionar a ele uma quantidade extra de dióxido de carbono, esse ar então reterá muito mais vapor de água.

Esta quantidade extra de vapor de água age como um gás do efeito estufa e aquece o ar ainda mais, quase dobrando o efeito que esses gases produziriam se agissem sozinhos. Se as emissões de gases do efeito estufa se mantiverem nos níveis atuais, calcula-se que haverá um aumento mínimo de 5°C na temperatura média da Terra, variação similar à ocorrida desde a última era glacial até os dias de hoje.

O aumento da temperatura do globo pode provocar alterações climáticas drásticas que ameaçarão a nossa qualidade de vida, o nosso padrão sócio-económico e até mesmo a nossa existência.

As principais consequências do aquecimento global:

– Aumento do nível dos oceanos. Com o aumento da temperatura no mundo, está em curso o derretimento das calotas polares. Ao aumentar o nível da águas dos oceanos, pode ocorrer, futuramente, a submersão de muitas cidades litorâneas. A subida do mar deverá inclusive inundar países inteiros.

Tuvalu, com apenas 9 mil habitantes, é atualmente um dos menores dos cinco países localizados em atóis, e que em breve deixarão de existir. Os outros são: Kiribati, irmã de Tuvalu no mesmo grupo de atóis, com uma população de 78 mil habitantes; as ilhas Marshal, com 58 mil; a pequena Tokelau (2 mil habitantes, um território dependente da Nova Zelândia); e as Maldivas, o maior e mais densamente povoado de todos os grupos insu lares com 268 mil habitantes.

Somado à população deslocada das áreas litorais de outras ilhas, que não constituem atóis, isso já totaliza cerca de meio milhão de pessoas que repentinamente divorciadas da sua cultura e de suas origens, terão de procurar novos lares.

– Crescimento e surgimento de desertos. O aumento da temperatura provoca a morte de várias espécies animais e vegetais, desequilibrando vários ecossistemas. As florestas de países tropicais como Brasil, Congo e Indonésia, podem se “savanizar” e savanas podem se tornar áreas desérticas. Isso afetará a produção de alimentos prejudicando principalmente as populações mais pobres que não poderão pagar por alimentos mais caros e escassos. Os conflitos por água e alimentos vão aumentar.
– O desequilíbrio nos ecossistemas trará novas pragas e doenças para o convívio humano. Um exemplo é a malaria. Ela é transmitida por mosquitos, que em temperatura quentes toleráveis amadurecem mais rápido e se multiplicam. A umidade também ajuda a espalhar a doença.
As mudanças climáticas levarão a malária para o norte e para as regiões montanhosas se outros fatores ecológicos não impedirem. Situações como essa podem se multiplicar.
– Aumento de furacões, tufões e ciclones. O aumento da temperatura faz com que ocorra maior evaporação das águas dos oceanos, potencializando estes tipos de catástrofes climáticas. Os furacões tipo 4 e 5(os furacões de maior intensidade) só se formam quando a água do mar atinge determinada temperatura elevada;
– Ondas de calor. As regiões de temperaturas amenas têm sofrido com as ondas de calor. No verão europeu, tradicionalmente, muitas famílias saem para viajar de férias e deixam os parentes idosos sozinhos em casa. Muitos idosos acabaram morrendo devido aos picos de temperatura nunca vistos em algumas cidades européias, como ocorreu em 2003. O forte calor na Espanha, França, Holanda, Itália, Portugal e Reino Unido em 2003 provocou 35 mil mortes. Esse fenómeno tende a se intensificar cada vez mais.
– Degelo do permafrost, os solos permanentemente congelados da Região Ártica. Estima movimentar.-se que cerca de 500 bilhões de toneladas de carbono estejam encerradas nesses solos. Esse processo expõe ao ar
várias camadas de dejetos animais e outros tipos de matéria orgânica deixados pelas criaturas que habitavam a tundra no passado.
Isso propicia a decomposição por bactérias dessa matéria orgânica, que acabam “arrotando” dióxido de carbono e metano para atmosfera, dois gases causadores do efeito estufa. O efeito estufa inicial causado pelas emissões dos combustíveis fósseis e do desmatamento gerará, portanto uma reação em cadeia. Então poderemos assistir a formação de uma bomba de calor que aquecerá o planeta de uma forma incontrolável no longo prazo.

You might also like More from author