O Que é a zoologia?

A zoologia é a ciência que estuda a história natural dos seres vivos.

A palavra “zoologia” provém na realidade de dois vocábulos gregos: zôon (animal) e logos (ciência).
O termo “zoologia” pode ser assim definido: “a história natural dos animais, ou seja, a ciência da sua estrutura, filosofia, classificação, seus costumes e distribuição
geográfica”. Consequentemente, zoólogo será o indivíduo que estiver ao corrente do essencial no que respeita aos diversos aspectos desta ciência.

Na verdade o simples conhecimento dos nomes de animais não confere a ninguém o título de zoólogo. Reconhece-se então que as noções de botânica, química, física, geografia e geologia são indispensáveis para a perfeita compreensão da zoologia.

A zoologia não seria uma ciência se não fosse susceptível de tratamento lógico, racional. Observando o mundo que nos rodeia, não há dificuldade em distinguir que certas coisas são vivas e outras não. Por exemplo, as árvores, as abelhas, os cães, os gatos, os cavalos, as vacas e os carneiros, todos eles tem uma característica comum – a vida. Isto quer dizer que todos esses seres vivos sentem, crescem e se reproduzem,
gerando filhos, que igualmente crescem e se tornam semelhantes aos pais.

Criados de certa maneira, o crescimento e a multiplicação podem ser activados ou retardados, mas perdem as suas características e tornam-se inertes – morrem -, se forem tratados de modo inconveniente.

A zoologia pode-se repartir em duas categorias: as plantas, que se alimentam directamente à custa das substâncias químicas do ar e do solo, e os animais, que se nutrem quer das plantas, ou de algumas das suas partes, quer de outros animais, nomeadamente da sua carne.

A maioria dos animais tem vida livre, move-se sobre o solo ou mesmo no seu interior, na água ou no ar, em armonia com o resto da natureza.
O termo animal aplica-se a todas as formas deste tipo de vida, quer se trate, por exemplo, de insectos peixes, aves, répteis ou de mamíferos.

Felizmente, em muitos países, já está feito o inventário dos animais das respectivas regiões, que continua a ser aperfeiçoado, de modo que é possível aos homens de ciência consultar esses diversos catálogos e terem, assim uma visão de conjunto do esplendor e da riqueza da vida animal.

Um panorama de tal amplitude sugere logo a necessidade de saber o bastante acerca desses animais para poder classificar; foi assim que nasceu a zoologia. Estudar a fauna e flora denotando a semelhança de costumes entre diversos animais ou plantas, pode ter grande significado.

As aves, os insectos, certos répteis, os morcegos e outros mamíferos, todos equipados para a navegação aérea, em vários graus, apresentam estreitas semelhanças. No mar, os peixes, as focas, os golfinhos e as baleias parecem-se ainda muito mais, e, no entanto, sabe-se que esses animais pertencem a grupos diferentes, embora
vivam a mesma existência, nos mesmos lugares e na mesma época.

A base autêntica da zoologia fundamentada numa classificação, assenta sobre elementos mais profundos que o aspecto ou hábitos, isto é, fundamenta-se na estrutura íntima do corpo dos animais. Por isso, torna-se necessário compreender a estrutura, ou anatomia do corpo, e o seu funcionamento, ao passo que a estrutura do corpo se chama morfologia, e seu funcionamento designa-se por fisiologia.

Reconheceu-se, porém, que certos caracteres anatómicos subjacentes são, de facto, acompanhados por vezes de atributos externos não menos persistentes, e assim se verifica que os peixes têm escamas, mas nunca pêlos nem penas; que as aves têm sempre penas, mas nunca pêlos nem escamas semelhantes à dos peixes; e que os mamíferos têm pêlos e nunca penas.

Um estudo mais profundo ensina, em suma, quais são os caracteres exteriores que têm importância e quais
os que (por exemplo, a cor) são menos fundamentalmente significativos.
Na zoologia ao estudar a fisiologia revela como o animal come, bebe, digere, respira, se reproduz, etc., e, para facilitar a compreensão do funcionamento de um órgão, lança também alguma luz sobre a significação de certos caracteres, tais como a estrutura, a cor, as variações devidas à idade, etc.;

Por outro lado também ajuda a resolver muitos problemas suscitados pela observação dos seres vivos, nos lugares que eles frequentam (no seu habitat).
A vida dum animal no seu próprio meio é dos aspectos mais atraentes da ciência. Esclarece-nos acerca dos costumes dos animais, sua alimentação, seus amigos e inimigos, a “vida social”, assim como a acção importante e altamente significativa dos factores geográficos e climáticos sobre um grupo determinado de seres vivos.

Este estudo dos animais no seu meio original é geralmente designado História Natural. [O estudo do ser vivo nas suas relações com o meio chama-se ecologia.] História da Vida.
A noção de “meio” relaciona-se, ao mesmo tempo, com a botânica e com a zoologia, com o estudo da distribuição geográfica dos animais e das suas reacções à condição local, o qual é conhecido pelo nome de geografia animal ou zoogeografia. Além desses estudos, que dizem respeito aos próprios animais e seus modos de vida, existem, porém, ciências importantes e verdadeiras profissões que se ocupam dos animais e se desenvolveram nestes últimos tempos.

Seja quem for que se interesse por estes assuntos, será levado, mais tarde ou mais cedo, a pôr a si estas perguntas:
Como se originaram estas diferentes espécies animais?
Como se espalharam à superfície da Terra, mesmo em lugares extraordinariamente afastados?
E como foi que a própria vida teve início no nosso planeta?

Para maior felicidade da nossa história, os principais pioneiros eram homens com grande conhecimento de zoologia e anatomia do seu tempo, observadores rigorosos e honestos, e de espírito filosófico.
O estudo dos fósseis tornou-se uma verdadeira ciência, a paleontologia, como prelúdio à variedade e riqueza da fauna actual e sua explicação. e luz dessa ciência, os geólogos podem provar-nos que a Terra não é estável, mas sempre em via de transformação; que as modificam continuamente; que a nossa Terra não é senão uma imagem passageira mergulhada na imensidade do tempo e cujo aspecto varia incessantemente.

No primeiro período em que aparecem fósseis, uma tal variedade de formas de vida que o hiato existente nos arquivos geológicos deve ter sido preenchido por uma vasta actividade vital, cuja história está irremediavelmente perdida. Durante milhões de anos, os únicos seres vivos eram todos marinhos e relativamente simples, protegidos ou não por concha ou carcaça, nunca dotados de vértebras. Depois, desenvolveram-se os primeiros Vertebrados, exclusivamente Peixes marinhos.

Só mais tarde os primeiros vertebrados invadiram a terra firme. Eram grandes e variados, que actualmente são representados apenas pelas minúsculas e quase insignificantes salamandras. Eram, pois, anfíbios, isto é, animais incapazes de subsistir sem as condições de vida aérea e aquática.

No período geológico seguinte, o Carbónico, quando os actuais jazigos de carvão eram ainda florestas e pântanos luxuriantes, esses anfíbios estavam no esplendor, mas nesse momento uma nova fornada de invasores de classes superior, os Répteis, entrou em cena.

Quando falamos de Répteis, pensamos em seres rastejantes, mas muitos répteis do grande período da idade média do Mundo, o Mesozóico, não rastejavam. Durante milhões de anos foram os reis incontestados do Planeta: os poderosos Dinossauros terrestres, os enormes Plesossauros e Ictiossauros, nos mares; e os Pterodáctilos, nos ares.

Mas os Répteis não deram apenas origem a esses estranhos seres; deles provieram também as Aves, e certos répteis antigos dos dias áridos do período Triássico nasceram os Mamíferos, que deviam usurpar-lhe o ceptro de domínio, e, mais tardiamente na história da evolução, o Homem.

Aquele que estuda os fósseis ou paleontólogo, e o que estuda o desenvolvimento individual dos animais, ou embriólogo, podem ambos reconstruir, com provas de apoio,
a árvore genealógica da vida. Por ela nos apercebemos até que ponto se entrelaçam intrincadamente as suas raízes, de modo por vezes impenetrável à nossa ânsia de
saber.

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