Sabia que já perdemos mais de 10% das áreas selvagens do mundo nas últimas duas décadas

Uma área selvagem é ocupada por paisagens pristinas, livre de disturbâncias humanas como agricultura de larga escala, rodovias ou indústrias. Essas áreas são importantes por proverem redutos de hábitats para espécies ameaçadas, armazenar e sequestrar carbono, tamponar e regular o clima local, além de suportar muitas das comunidades mais politicamente e economicamente marginalizadas do mundo. Porém, as áreas selvagens recebem pouca atenção de gestores porque são consideradas livres de ameaças e, portanto não são prioridade nos esforços para a conservação.

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Pesquisadores mediram mudanças temporais nas áreas selvagens globais comparando mapas dessas áreas a partir da década de 1990. Os resultados mostraram perdas alarmantes de um décimo (3.3 milhões de Km2) das áreas selvagens no mundo, especialmente na Amazônia (30%) e África Central (14%). Essa catastrófica taxa de perda representa o dobro de ganho de proteção das áreas selvagens nesse mesmo período.

Para reduzir as taxas de destruição, os autores destacam a necessidade imediata de políticas internacionais para reconhecer os valores vitais das áreas selvagens e as ameaças sem precedentes que enfrentam, por meio de ações de conservação multifacetadas e em larga escala. Por exemplo, a criação de áreas protegidas grandes e multi-jurisdicionais, mega-corredores de conservação e estabelecimento de reservas de conservação comunitária para comunidades indígenas.

Muitas das áreas selvagens perdidas não eram consideradas como ameaçadas. Quase que por definição, ‘áreas selvagens’ (wilderness, em inglês) seriam lugares imaculados, que não sofrem intervenções humanas. Então, se não há presença humana, não há perigo, certo?

O problema é o seguinte: O fato de uma área estar intocada no momento do estudo não quer dizer que ela continuará assim no futuro. Um bom exemplo disso é a Amazônia.

Na verdade, a floresta amazônica é um dos lugares do mundo onde há mais áreas selvagens, e já perdeu várias espécies da flora e fauna. Há vinte anos, quando foram coletados dados no local, a presença humana era mínima. Um dos motivos para isso é o difícil acesso ao local.

Mas após duas décadas, a Amazônia perdeu uma porcentagem importante de seu território. Várias áreas que não foram protegidas deram lugar à criação de gado e ao cultivo. Uma grande faixa de terra foi desmatada e jamais poderá ser recuperada. Os animais, vegetais, fungos e outros organismos que se perderam nesse processo, bem como os ecossistemas dos quais faziam parte, ficarão apenas na lembrança.

O exemplo da Amazônia também é importante por questões geográficas. A América do Sul é uma das regiões mais afetadas por esse processo, juntamente com a África. Outros locais menos afetados são a América do Norte, o continente australiano e a Ásia. A Europa não tem sido muito afetada, pois como o artigo descreve, restam poucas áreas selvagens no continente.

Apesar de tudo, ainda há um raio de esperança. Embora aliviar esse problema demande muito esforço e dedicação, ainda é possível. Os cientistas alertam que nesse ritmo, os danos serão irreversíveis em dez anos, no melhor dos casos. Ainda há tempo de fazer alguma coisa.

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